Apoio às escolas - Maio 2018

Desafios de escrita em… 77 palavras

Estamos no último PDF deste ano letivo. Muito se caminhou, entretanto, e só posso agradecer aos professores incansáveis que enviaram os textos dos seus alunos e que vão permitir que se «leia» os seus progressos ao longo do ano. Muito obrigada.

Estes últimos desafios são bastante mais livres. Deixo vários, para poderem escolher quais serão melhores para as vossas turmas. Não têm tantos constrangimentos, e é propositado ― está na hora de vermos como, tendo mais liberdade e estando já numa fase avançada do trabalho de corte e costura, conseguem fazer estes desafios.

São sobretudo ideias, metáforas, temas. Estou desejosa de receber os textos dos vossos alunos.

Um grande abraço a todos os que, este ano, embarcaram comigo nesta aventura.

Margarida Fonseca Santos

DESAFIOS PARA MAIO

Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

Vamos brincar com frases estranhas, pode ser?

A ideia é esta: algures, terá de aparecer «S/sentia-se intermitente».

Podem adaptar o tempo do verbo, sujeito e passar a plural.

Mas a frase estará lá. ☺

Eu desenvencilhei-me assim:

Se pudesse, teria ido a um médico, mas não sabia algum que o compreenderia. Nada fácil, chegar ao gabinete e dizer:

― Senhor doutor, sinto-me intermitente.

― Intermitente?!

Pois, era previsível que não funcionasse. Ainda se fosse um candeeiro de rua, têm tantas vezes esse problema… Mas assim, pessoa de carne e osso, complicava-se tudo. Ao cair da noite, apareceu-lhe um ser alado.

― Intermitente?

― Sim, muito. O que tenho?

― Espera um pouco, estás quase a vir para este lado. MFS

Exemplos:

Desde a festa do João que me sinto intermitente. Já não é só a cabeça que se afasta. Agora é a minha alma, o meu ser. Eu sabia que não devia ter experienciado… De tantos avisos que me deram e que sempre achei sem importância, fui, mesmo assim, experimentar. Porque é que lhes dei ouvidos? Devia ter ficado em casa naquele dia. Imagino a mácula que será quando falar com os meus pais. Acho que vou desligar… Gonçalo Gonçalves, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

Estava um dia soalheiro e quente. Toda a gente tinha um enorme sorriso no rosto. O ambiente era alegre e divertido! Só eu estava triste, embora não soubesse porquê. Ora me sentia pesaroso ora me deixava contagiar por tal contentamento. Sentia-me… intermitente. Como costumava andar animado, toda a gente na escola estranhava o facto de eu estar assim e comentava-o pelos corredores, até mesmo os professores. O que se passava, afinal, que nem eu percebia? Ai, adolescência!...  António Vaz, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

Estava no meio da ponte, e o nevoeiro intensificava! Cada vez mais denso, impedia-a de observar o voo da ave branca. Aparecia, logo desaparecia, sentia-a intermitente! Trazia a mensagem da data do regresso de seu pai. Ao aperceber-se do seu desaparecimento, o medo aumentava. Conseguiria a ave transpor o nevoeiro e encontrá-la? Até que a bruma deixou de cobrir a ponte, desvanecendo, e o recado foi surpreendentemente entregue pelo seu pai. A guerra terminara, a paz dominara! Matilde Faria, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva

 

Vagueando pela noite no ensurdecedor silêncio da escuridão, encontrei três homens encapuzados. Não sabia o que fazer, sentia-me intermitente. “Telefono para a polícia?”. Decidi que tinha de impedir aquele assalto. Tentei agir, lançando-me para cima dos assaltantes, mas tudo o que consegui foram duas costelas partidas e a bacia rachada. Pelo menos, a loja não foi assaltada devido à sirene da polícia. O dono da loja agradeceu e garantiu-me parafusos vitalícios, incluindo um para a minha bacia. André Moreira, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

 

Desafio nº 125 – tornado no jardim

Para o desafio de hoje, tenho uma imagem para vos servir de inspiração: um tornado, pequeno, mas suficientemente forte para derrubar coisas, entra no vosso jardim.

Podem usar o «tornado» e o «jardim» como metáfora ou realidade, ou uma mistura de ambas.

Não sabia como agir, explicou, não quando o vira entrar em sua casa espumando raiva. Petúnia limitara-se a agarrar na caçadeira do falecido marido. Não para matar, para intimidar. Mas não contava com vê-lo puxar do revólver e, embriagado de fúria, tentar atingir um dos filhos, que chorava de medo. E Petúnia disparou. O homem caiu no chão, agarrado ao ombro. Tudo por causa de um ramo de nespereira que ela cortara sem autorização. Manchava-lhe a roupa… MFS

Exemplos: ainda nenhum aluno o fez…

 

Desafio nº 133 ― cair nas silvas

Caí/Caiu da estrada para um monte de silvas.

Que texto vos surge a partir desta ideia?

Pode ser metaforicamente usada, ou a sério, têm toda a liberdade.

Eu caí assim:

Não eram as silvas que a incomodavam. Preferia estar ali a ter de voltar a ver-lhes o rosto, o desdém, a mentira. A cada movimento, pior ficava. Os picos enterravam-se na sua pele sem dó. Percebeu então a metáfora da queda. Os picos, ao longo dos anos, esvaziavam-lhe a sanidade, a autoestima, a energia. Iria reagir!

Levantou-se, apesar da dor, do sangue. Aproveitou o nascer do dia para amanhecer em força. Respirou fundo. «Preparem-se», pensou. Regressava diferente. MFS

Exemplos: ainda nenhum aluno o fez…

 

Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

Vou dar-vos duas frases, uma delas com um espaço em branco.

Chegou demasiado tarde. A/O __________________

não esperara por si.

Nesse espaço, pode estar a palavra que quiserem, por exemplo: a vida; o emprego; o amor; a oportunidade; o entusiasmo; o destino; a surpresa; etc. etc.

Que história surge começando por estas frases?

Eu escolhi «a solução»:

Chegou demasiado tarde. A solução não esperara por si. Levada pela mão de outro, para um sítio desconhecido. Embora conhecesse bem a floresta, não fazia ideia de quem se apoderara da solução. Isso seria uma moinha constante nos pensamentos. Não, a moinha era: porque se atrasara? Por puro desleixo, concluiu. Ouviu então o uivo da raposa. Caía atordoada pelo veneno. O esquilo sacudiu o terror. Compreendia tudo: atrasara-se porque a solução para a fome era verdadeiramente duvidosa. MFS

Exemplos:

O novo emprego 

Chegou demasiado tarde. O Henrique não esperara por si. No dia seguinte, foi à conferência sozinha, mas teve azar, foi assaltada e roubaram-lhe a mala onde estava a pen com o trabalho que ia apresentar. Foi à polícia apresentar queixa do roubo. Meteu a mão no bolso e encontrou a pen. Ficou muito feliz e desatou a correr que nem um foguete. Chegou à conferência, apresentou o trabalho, foi promovida a Vice-Presidente da empresa Nutella. Foi delicioso! 3º/4º B, EB de Galveias, professora Carmo Silva

Chegou demasiado tarde, a aula não esperara por si. Foi o que uma professora me disse um dia, não me apetecia ir à aula, estava na parte de trás da escola fui andando devagar até à aula, quando dei por mim estava atrasado meio bloco. Apressei-me para chegar mais rápido a aula quando lá cheguei a professora disse chegou demasiado tarde e eu fiquei preocupado com o que me ia acontecer em casa quando o meu pai soubesse que eu chegara demasiado tarde. Tomás Magalhães, 5º ano - Escola Luís António Verney

 

Desafio nº 87 – ponte, rio, cabra

Dou-vos hoje uma situação:

Inverno, um rio de corrente forte e uma ponte romana a ligar as margens. A meio da ponte, uma cabra para, hesitante.

Que história é esta?

Nota: a imagem pode ser considerada como metáfora, assim como cabra

A ponte, posta para ligar a tua margem à minha, existe mesmo, ou apenas apregoas que sim para esconder a culpa pelo inverno em que me deixaste? No momento em que soltaste esse rio de dúvidas, inundaste a minha serenidade de loucura. Quem sou, afinal? Talvez uma cabra tresmalhada, habituada a engolir tudo, apenas pensando depois, já sem hipótese de retorno, engasgada pela hesitação. Passo então para o meu lado onde, a sós, talvez recupere quem sou. MFS

Exemplos: ainda nenhum aluno o fez…

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