Apoio às escolas - set/out 2019

Estamos quase a dar início ao ano letivo de 2019/20. Prontos para começar?

Peguemos, para refrescar a memória acerca deste trabalho das Histórias em 77 Palavras, naquilo que escrevi no Razões para Escrever (inserido nas listas do Plano Nacional de Leitura 2027):

«A primeira coisa de que eu precisava era de assegurar que os meus alunos estivessem em modo de jogo, aquele modo descontraído no qual, de língua de fora e despenteando o cabelo, contornamos obstáculos ou passamos pelo buraco de uma agulha ou saltamos de entusiasmo, esse modo aventureiro. (…) Com eles, asseguraria um cérebro descontraído, podendo assim associar ideias livremente e sem entraves, sentindo-se capaz de arriscar soluções mais ousadas, ou mesmo decidir-se por caminhos estranhos e sinuosos. Estava

lançado o primeiro objetivo: os exercícios teriam de ser desafiantes e divertidos ou esquisitos, mantendo o cérebro em paz, curioso (haverá outra forma de aprender?) e com a capacidade de circular livremente por todo um mundo acumulado de sensações, ideias, memórias, palavras, frases, imagens, e por aí adiante.»

Mas não bastava ter exercícios divertidos, precisava de levar os alunos a gostar de melhorar o texto, algo que deveria ter um local de destaque no tempo de escrita. Cito de novo:

«Depois entra o maravilhoso trabalho de apuramento do texto, o verdadeiro trabalho de edição, porque não é apenas o que se conta, mas sim como se conta.

Elimina-se tudo o que está a mais: retiramos os tiques de escrita, as palavras que tingem os textos (mais à frente falaremos delas), escolhemos o que se diz e o que se esconde. Reescrevemos frases, repensamos no tema, reequacionamos o início, limpamos o remate ― há tanto para fazer. As 77 palavras finais deverão ser as que realmente queremos e não uma primeira versão, sempre a contar palavras, até ao “Pronto, já está”. Acredito residir aqui o principal trabalho de escrever em poucas palavras. Depois de passar de forma repetida por estes desafios, quando estivermos noutras circunstâncias, tendo de escrever muito mais, não o faremos com a mesma superficialidade. Vamos escolher o como. Isso, sim, é escrever.»

Na verdade, este trabalho tem objetivos muito claros:

  • Criar o gosto pela escrita;
  • Incentivar e desenvolver o desejo de apurar o texto;
  • Aprender a ter acesso a mais ideias, brincar a procurá-las;
  • Ficar apto a usar a escrita em todas as áreas do conhecimento, melhorando a compreensão, interpretação e construção de textos;
  • Criar um verdadeiro gosto pela leitura.

Temos assim a escrita para chegar à leitura, sabendo apreciar o «como se escreve» para além da história ou texto, mas também o grande desafio de cultivar o gosto (diria quase o vício) de ler. Excelentes exemplos podem ser encontrados no Projeto Read On (Portugal), assim como inspiração sobre como pôr alunos a ler neste magnífico livro de Donalyn Miller, Book Whisperer, ninguém ficará indiferente à sua leitura.

Deixo, para começar a agitar as águas, alguns desafios lançados no verão ― ficaria muito feliz se enviassem o resultado para Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. É um incentivo acrescido para quem escreve ver os seus textos publicados no blogue. Não deixem de referir a escola, ano, nome próprio do aluno e cidade.

Vamos trabalhar!

Partindo das letras, com histórias conhecidas

Desafio nº 182 ― 3 histórias sem i, t, l

Que versão em 77 palavras conta uma destas histórias sem usar o I, o T e o L?

Pode ser: Branca de Neve ou Tartaruga e lebre (com outras personagens) ou Cinderela.

Exemplo:

Candereza chorava: não poder mover-se para o sarau do monarca pareceu, e bem, uma ofensa. As megeras abonecavam-se com esmero, achando-se com chances de ganhar o coração do jovem. Foram embora. Num sopro de anjo, apareceu a fada dos desejos. Fez de Candereza uma formosura capaz de convencer o jovem monarca. Mas a jovem pôs-se em fuga sem razão, desprendendo uma concha. O monarca procurou-a sem descanso. Recuperou-a, casou-se sem demora. As megeras nunca perdoaram a cena… MFS

 

Partindo das palavras, em sequência

Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Ora, que história sem qualquer relação com praia, obedece a estas palavras (que podem ser adaptadas)? Atenção ― tem de ser respeitada a ordem destas palavras:

SOL ― AREIA ― MAR ― LEITURA ― AMIGO/A ― PICADA ― FARNEL ― CREME

Fiz a minha assim:

O sol desaparecera. Só um gafanhoto burro, com cabeça de areia, acharia bem levar a namoradinha para aquele mar de erva. Ela depressa se assustou. Dissera-lhe a aranha, lendo-lhe a sina, que o futuro seria sombrio, sem amigos. Foi o fim da picada para o gafanhoto. Saltou ao seu lado, tentando sossegá-la, mas aterraram mesmo em cima do pão dum farnel abandonado. Ah, ela gostou! O creme da bola-de-Berlim, fê-la suspirar. Afinal, talvez não fosse tão burro. MFS

 

Partindo de frases obrigatória, mas de ordem livre

Desafio nº 178 ― 3 frases para usar no texto

Desta vez, teremos três frases que deverão aparecer obrigatoriamente dentro do vossos texto. A ordem porque aparecem é livre. São elas:

1 - Era a quarta vez que ouvia aquilo.  2 - Esboçou uma frase, mas não chegou a dizê-la.  3 - Guardou rapidamente o papel no bolso.

Exemplo:

Voltou a alinhar o cabelo, não havia meio de prendê-lo no ponto certo. Mas, caramba, era a quarta vez que ouvia aquilo. Invejas, pensava. Concentrou-se de novo: prometia-se ali riqueza e amor, mas o ar barbudo do bruxo arrepiava-a. Vinha lá o chefe, guardou rapidamente o papel no bolso. Perguntava-lhe se já fizera alguma coisa hoje, o verme. Tinha mais que fazer! Ainda esboçou uma frase, mas não chegou a dizê-la. Talvez o bruxo soubesse deitar mau-olhado… MFS

 

Partindo da leitura

Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

Peguem no livro que estão a ler. Sigam a marca que vos diz onde vão na leitura. Agora, copiem as 10 primeiras palavras dessa página. Elas estarão, em algum momento, dentro do vosso texto. Digam-nos que livro é, para partilharmos leituras!

Do livro que estou a ler, copiei isto: «A noite estava escura e fria. Maria já sentia as», Até que a morte nos separe, de Malvina Sousa (um retrato bem traçado sobre a violência doméstica). Resultou assim:

Caminhou durante muito mais quilómetros do que as pernas aguentariam. Com a vida na mochila, afastava-se da casa, da dor, esperando desligar-se das memórias. A noite estava escura e fria. Maria já sentia as forças fugirem-lhe. Sentou-se no chão, encostando-se numa pedra. Não, não uma pedra, uma tartaruga. Sorriu-lhe. Podia repousar, aninhada na sua sabedoria. Quando acordou, só viu a pedra. Na sua cabeça, uma voz dava-lhe força. Levantou-se, acariciou a pedra-tartaruga e avançou para a liberdade. MFS

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